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No mundo O
cidental, desde sempre, Ciência e Religião se enfrentaram. Ao ponto de se estabelecer o preconceito imbecil de que cientistas e religiosos são, por natureza de suas vocações, inimigos naturais. Se papas, bispos, pastores e padres olham com desconfiança os que buscam a verdade nos laboratórios, no mundo da pesquisa científica a fé é vista, no mínimo, como sinal de ingenuidade e ignorância.
Nas últimas décadas, as pesquisas no campo da genética se tornaram o ponto mais sensível desse enfrentamento. Apressadinhos de ambos os lados começaram a comemorar, antecipadamente, que a descoberta do código genético do ser humano daria aos laboratórios a condição de se igualarem a Deus, criando gente sob encomenda como as montadores de veículos produzem carros segundo as tendências do mercado.
E foi justamente no ambiente dessas pesquisas que apareceu alguém com coragem para dizer que um cientista pode crer em Deus, professar a sua fé, sem deixar de ser respeitado pelo seu valor como pesquisador e estudioso: Francis Collins.
Biólogo respeitadíssimo, Collins é um dos cientistas mais notáveis da atualidade. Diretor do Projeto Genoma, bancado pelo governo americano, foi um dos responsáveis por um feito espetacular da ciência moderna: o mapeamento do DNA humano, em 2001. Desde então, tornou-se o cientista que mais rastreou genes com vistas ao tratamento de doenças em todo o mundo.
Alvo de críticas de seus colegas, cuja maioria nega a existência de Deus, Collins decidiu reagir. "Ignorância, superstição e falta de bom senso é negar a existência de Deus a priori, sem pensar de forma séria e metódica sobre o assunto. Nada é mais anticientífico do que ser ateu."
E para explicar sua convicção, o cientista publicou, ano passado, nos Estados Unidos, um livro que causou a maior polêmica e cuja tradução foi lançada no Brasil,pela Editora Gente,com o título "A Linguagem de Deus: um cientista apresenta evidências de que Ele existe".
Até seus 27 anos, Collins era um ateu convicto. Foi somente na faculdade de Medicina que começou a perceber o verdadeiro poder da fé religiosa entre seus pacientes. Então, começou a mudar. Hoje, Collins é considerado um cientista religioso que defende a existência de Deus e a importância da ciência para a humanidade.
Collins, que nas horas livres gosta de pilotar sua motocicleta, escrever paródias e tocar violão, por mais de 12 anos liderou o Projeto Genoma Humano. Com o apoio de Bill Clinton, empenhou-se em revelar a seqüência do DNA. Levou um susto quando o então presidente dos EUA afirmou, no dia da conclusão do projeto, que "hoje estamos aprendendo a linguagem com a qual Deus criou a vida". Pensou em discordar de Clinton na hora, mas resolveu refletir sobre o assunto.
No livro, Collins explica que a experiência de mapear o genoma humano, além de ser um mergulho no mais notável dos textos - o DNA -, pode ser encarada tanto como uma conquista científica quanto também uma descoberta digna de veneração. Ao combinar sua fé cristã à experiência adquirida na área de estudos genéticos, Collins se debruçou sobre questões de caráter científico e espiritual simultaneamente, e afirma que "a ciência não deve se sentir ameaçada por Deus, mas sim reforçada. E Deus certamente não está ameaçado pela ciência; foi Ele quem tornou tudo isso possível".
Para ele, "é nosso dever levar em consideração todo o poder das perspectivas científica e espiritual para entendermos tanto aquilo que enxergamos quanto aquilo que não enxergamos. E a sacada desse livro é a soberba integração entre essas duas perspectivas". O pesquisador afirma que há uma base racional para crer na existência de um Criador e que todas as descobertas científicas "aproximam o homem de Deus". E, por isso, acredita que uma das grandes tragédias do nosso tempo é a impressão que se criou de que ciência e religião devam estar em guerra.
Partindo de sua experiência, Collins afirma que decifrar o genoma humano não criou um conflito em sua mente; porém, lhe permitiu verificar os trabalhos de Deus. "O problema é que nos últimos 20 anos, com muita freqüência, as vozes que são ouvidas nos debates públicos sobre esses temas são aquelas que defendem posições extremas", afirma. O livro de Collins chegou ao Brasil sob a luz da polêmica.
cidental, desde sempre, Ciência e Religião se enfrentaram. Ao ponto de se estabelecer o preconceito imbecil de que cientistas e religiosos são, por natureza de suas vocações, inimigos naturais. Se papas, bispos, pastores e padres olham com desconfiança os que buscam a verdade nos laboratórios, no mundo da pesquisa científica a fé é vista, no mínimo, como sinal de ingenuidade e ignorância.Nas últimas décadas, as pesquisas no campo da genética se tornaram o ponto mais sensível desse enfrentamento. Apressadinhos de ambos os lados começaram a comemorar, antecipadamente, que a descoberta do código genético do ser humano daria aos laboratórios a condição de se igualarem a Deus, criando gente sob encomenda como as montadores de veículos produzem carros segundo as tendências do mercado.
E foi justamente no ambiente dessas pesquisas que apareceu alguém com coragem para dizer que um cientista pode crer em Deus, professar a sua fé, sem deixar de ser respeitado pelo seu valor como pesquisador e estudioso: Francis Collins.
Biólogo respeitadíssimo, Collins é um dos cientistas mais notáveis da atualidade. Diretor do Projeto Genoma, bancado pelo governo americano, foi um dos responsáveis por um feito espetacular da ciência moderna: o mapeamento do DNA humano, em 2001. Desde então, tornou-se o cientista que mais rastreou genes com vistas ao tratamento de doenças em todo o mundo.
Alvo de críticas de seus colegas, cuja maioria nega a existência de Deus, Collins decidiu reagir. "Ignorância, superstição e falta de bom senso é negar a existência de Deus a priori, sem pensar de forma séria e metódica sobre o assunto. Nada é mais anticientífico do que ser ateu."
E para explicar sua convicção, o cientista publicou, ano passado, nos Estados Unidos, um livro que causou a maior polêmica e cuja tradução foi lançada no Brasil,pela Editora Gente,com o título "A Linguagem de Deus: um cientista apresenta evidências de que Ele existe".
Até seus 27 anos, Collins era um ateu convicto. Foi somente na faculdade de Medicina que começou a perceber o verdadeiro poder da fé religiosa entre seus pacientes. Então, começou a mudar. Hoje, Collins é considerado um cientista religioso que defende a existência de Deus e a importância da ciência para a humanidade.
Collins, que nas horas livres gosta de pilotar sua motocicleta, escrever paródias e tocar violão, por mais de 12 anos liderou o Projeto Genoma Humano. Com o apoio de Bill Clinton, empenhou-se em revelar a seqüência do DNA. Levou um susto quando o então presidente dos EUA afirmou, no dia da conclusão do projeto, que "hoje estamos aprendendo a linguagem com a qual Deus criou a vida". Pensou em discordar de Clinton na hora, mas resolveu refletir sobre o assunto.
No livro, Collins explica que a experiência de mapear o genoma humano, além de ser um mergulho no mais notável dos textos - o DNA -, pode ser encarada tanto como uma conquista científica quanto também uma descoberta digna de veneração. Ao combinar sua fé cristã à experiência adquirida na área de estudos genéticos, Collins se debruçou sobre questões de caráter científico e espiritual simultaneamente, e afirma que "a ciência não deve se sentir ameaçada por Deus, mas sim reforçada. E Deus certamente não está ameaçado pela ciência; foi Ele quem tornou tudo isso possível".
Para ele, "é nosso dever levar em consideração todo o poder das perspectivas científica e espiritual para entendermos tanto aquilo que enxergamos quanto aquilo que não enxergamos. E a sacada desse livro é a soberba integração entre essas duas perspectivas". O pesquisador afirma que há uma base racional para crer na existência de um Criador e que todas as descobertas científicas "aproximam o homem de Deus". E, por isso, acredita que uma das grandes tragédias do nosso tempo é a impressão que se criou de que ciência e religião devam estar em guerra.
Partindo de sua experiência, Collins afirma que decifrar o genoma humano não criou um conflito em sua mente; porém, lhe permitiu verificar os trabalhos de Deus. "O problema é que nos últimos 20 anos, com muita freqüência, as vozes que são ouvidas nos debates públicos sobre esses temas são aquelas que defendem posições extremas", afirma. O livro de Collins chegou ao Brasil sob a luz da polêmica.







